(...) O pequeno e macio filtro mentolado tocou meus lábios, que o envolveram com calma e prazer. Aquela tragada pareceu ter demorado anos para acontecer. A fumaça, aromatizada por alguns instantes e carregada com toda a preocupação e peso do mundo passou por minha garganta, inflando meus pulmões já judiados por tantas vezes que havia repetido o ato. Tudo isso para que no próximo segundo se perdesse no ar, sendo levada pela brisa do ventilador ligado, dissipando-se nas trevas às vezes salpicadas pelos raios coloridos da boate. Eu precisava daquilo. Precisava morrer a cada trago para me sentir um pouco mais vivo.